A situação catastrófica das finanças públicas está finalmente a ser assimilada por todos, e começa a ser claro que o peso do Estado (Social ou não social) na sociedade e na economia, é asfixiante e insustentável. Ouve-se falar em rever o papel do Estado, que o Estado é um monstro sempre a crescer, que está gordo,etc...Depois fala-se que para cortar a despesa há que cortar nos institutos, nos carros, nos salários, nas mordomias.
Essas medidas no entanto não vão ao âmago do problema, e por si são insuficientes para o resolver definitivamente.
O problema é que o Estado faz demasiadas coisas, fá-las mal, e fá-las caro.
Um bom exemplo do que terá que ser alterado mais tarde ou mais cedo, é a Educação.
A ideia que é continuamente defendida nos media, e pelos partidos que tomam posição sobre este assunto (os outros não dizem nada), é que a Educação deve ser Gratuita e Universal, o que aparentemente significa que tem que ser o Estado a fornecer esse serviço.
Acontece que o facto de ser o Estado a fornecer esse serviço não significa que ele seja gratuito, antes pelo contrário, significa que ele é carissimo. E é carissimo porque os professores no Estado recebem muito mais que no Privado e têm benesses que o Privado não dá. É carissimo porque enquanto no privado os funcionários são flexiveis e fazem o que é preciso, quando é preciso, sem qualquer problema (porque sentem que se a Empresa falhar é o emprego delas que está em causa), no Estado a mentalidade vigente é que cada funcionário tem funções especificas, tipo o motorista não manda fax, a professora não lava o chão, etc.. E claro, das 09h às 17h00. Rapidamente se pode concluir que se numa escola privada são precisos 50 funcionários para fazer todas as tarefas, no Estado serão precisas 100. E mais bem pagos.
Consideremos pois o cenário de total privatização das Escolas e Jardins de Infância. Neste cenário teriamos a passagem de todos os professores, auxiliares, porteiros, para o Privado, juntamente com o património edificado e com os custos de manutenção (energia, comida, material de desgaste). Seria um redução de cerca de 200 000 funcionários públicos, que traria uma redução brutal nos gastos do Estado.
Essa redução seria reflectida em baixas de impostos, fazendo o dinheiro reverter para os pais. Com esse dinheiro extra os pais poderiam pagar as Escolas (que passariam a ser privadas), ficando o Estado com a responsabilidade de financiar as famílias com mais dificuldade, via cheque ensino.
Os custos para as familias, pelas eficiências próprias duma actividade privada, e pela saudável concorrência entre as inumeras escolas, seriam sempre os mais baixos possivel.
Nesse cenário, os pais passariam a poder exigir das Escolas como se exige de qualquer loja ou negócio privado. Poderiam exigir competência dos professores, disciplina nas escolas, controlo e monitorização, qualidade no atendimento, etc.. E se não o conseguissem poderiam simplesmente mudar de Escola.
Esta relação directa entre utilização e pagamento, associado a uma livre escolha da Escola a utilizar, levaria a seu tempo, a que todas as escolas acabassem por melhorar os seus desempenhos escolares e de funcionamento, tornando-se mais eficientes e produtivas por uma lado, e ensinando melhor os seus alunos por outro.
A liberdade de poder escolher onde consumir determinado produto ou serviço, é a única via real de avaliação, porque assenta numa escolha consciente do consumidor ou seja da procura. Tudo o resto que se invente: exames, grelhas, trabalhos, cursos, para validar a qualidade dum professor ou duma escola, não funciona, nem funcionará nunca, porque assenta na avaliação pela oferta, sem ouvir a procura.
Noutro plano, mas servindo de exemplo, é como se os fabricantes de sapatos fizessem grelhas de avaliação de qualidade dos seus sapatos, e depois avaliassem os sapateiros que os fazem e vendem, sendo que o mercado teria posteiormente que comprar esses sapatos, quer gostasse ou não deles, quer os considerasse ou não de qualidade. Seria gerir o negócio dos sapatos sem ouvir o cliente que os quer comprar. Não faz qualquer sentido nos sapatos, como não faz na restauração, no cinema, ou em qualquer outra actividade.
Quem compra um serviço/produto, quem procura um serviço/produto, quem paga um serviço/produto, é que pode avaliar se este é ou não bem prestado. É a oferta que tem que se adaptar á procura. A procura sao os Pais e as crianças, a oferta as Escolas e o Professores.
1 comentário:
Assino por baixo... Isto sim é saber pensar!
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