sábado, 28 de agosto de 2010

Atlas Shrugged - Ayn Rand


Um livro brilhante e marcante. O livro apresenta uma sociedade com valores profundamente errados, irracionais, onde não há consequências, onde os direitos dos incapazes, dos acomodados, dos incompetentes, dos estado-dependentes, se sobrepõem e ao mesmo tempo se alimentam, do esforço e dos lucros dos competentes, dos esforçados, dos empreendedores. Estes valores acabam por ser defendidos pela maioria dos cidadãos, que os defendem por ausência de espírito crítico, por incapacidade de olhar para a realidade de forma crua e honesta, preferindo viver num mundo de mentira, irreal, onde é sempre mais fácil exigir, sem perceber quem e como serão providenciadas essas exigências, onde é mais fácil decidir sobre causas alheias, sem querer perceber as consequências dessas decisões, apenas esperando que as coisas aconteçam como se espera só porque assim é decretado.
No fundo a escritora procura, através de personagens muito fortes, apresentar uma sociedade onde os valores e as ideias da sociedade americana da altura (1950, por acaso iguais aos da sociedade actual de 2010), são extremadas e elevadas ao seu máximo significado, permitindo assim perceber muito mais claramente como elas estão erradas, e onde levariam caso fossem implementadas na sua totalidade.
O livro descreve o que aconteceria se as pessoas capazes, empreendedoras, dignas no sentido que quererem conquistar por si o que desejam (e não esperar que alguém lhes dê, Estado ou não Estado), fizessem greve e desaparecessem a pouco e pouco da sociedade, deixando esta entregue aqueles que apenas sabem reivindicar mais apoios, mais direitos, mais regalias, aqueles que acham que têm direitos a ter, sem ter conquistado por si aquilo que pretendem, aqueles que acham que devem ser os outros a proporcionar-lhes aquilo que eles não conseguem obter.
O livro procura demonstrar de forma racional, entre inúmeras outras coisas, o que sucederia se não houvesse ninguém a quem ir buscar riqueza para depois distribuir, ou seja, se não houvesse receitas, não haveria impostos e consequentemente não haveria nada para distribuir. E nessa altura como seria?
Percebendo as consequências de levar certas ideias “sociais” até ao fim, percebe-se como estas têm falhas profundas e como em vez de promover um espírito de autoresponsabilização, de empreendedorismo, de mérito, de defesa do que há melhor no ser humano, a sociedade da altura (e a actual) promoviam precisamente o oposto: a desresponsabilização, a acomodação, a incompetência, a autocomiseração.
Tudo resultado duma sociedade onde as opiniões recebidas pelos diversos actores, TV, rádio, amigos, jornais, são arquivadas e não digeridas, levando a que tudo seja aceite afilosóficamente, ou seja, sem nada questionar ou sem tentar perceber porque é que tanto do que se ouve e lê, está errado.

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